De meados da década de 60 aos primeiros anos da de 70, um pequeno grupo de professores do Departamento de Engenharia Elétrica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo passou por duas experiências marcantes. A primeira foi o estudo de sistemas de televisão em cores e a conseqüente escolha e parametrização daquele a ser utilizado no Brasil.

O resultado foi o sucesso do sistema implantado no país. A segunda foi o projeto e a implementação do primeiro computador digital brasileiro, ainda com características artesanais, o hoje personagem histórico da tecnologia nacional, o "Patinho Feio". Os resultados foram a demonstração da capacidade já instalada no país nessa área de vanguarda tecnológica, e o conseqüente interesse das autoridades governamentais em que aquele grupo desenvolvesse o primeiro computador brasileiro com características de produto industrializável.

A experiência anterior do grupo indicava, com clareza, que a tarefa não poderia ser realizada em ambiente estritamente universitário, que carecia da necessária agilidade para fazê-lo, e somente poderia ser realizada em ambiente empresarial recrutando-se aquele grupo de professores e afastando-os de suas atividades docentes, com evidente prejuízo para a Universidade. A solução antevista por alguns daqueles professores foi a criação de uma entidade intermediária, estritamente privada, sem fins lucrativos, sem vínculos orgânicos com instituições de ensino superior e sem ligações empresariais, mas com objetivos claramente definidos estatutariamente de cooperar com ambas as áreas.

Assim nasceu a FDTE, que, nos seus 30 anos de história, estabeleceu-se como uma ponte entre a comunidade tecnológica e a universitária, respeitadas as regulamentações e aproveitada a autonomia de cada uma delas.

Essa ponte tem sido responsável por marcos históricos na evolução tecnológica do país e, embora não seja uma fundação de apoio a instituições de ensino superior, como as define a legislação do país, pois não tem vinculação orgânica com nenhuma delas, tem contribuído substancialmente também para o seu fortalecimento e para o aperfeiçoamento do ensino da engenharia.