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A ISO 50001 é uma norma que estabelece padrões para Sistemas de Gestão de Energia. Esta norma foi criada para orientar a implantação e a manutenção de Sistemas de Gestão de Energia e pode ser de muita utilidade para empresas nas quais a energia seja um insumo importante.
O meu objetivo neste artigo é mostrar a importância da Gestão de Energia, e para isso farei uma pequena incursão na história do consumo energético do nosso País. Sistemas de Gestão de Energia adquirem uma importância extraordinária nos períodos de crise energética. Foi assim no início da década de 80, quando ocorreu a segunda crise do petróleo e o preço do barril subiu bruscamente à casa dos noventa dólares (valores correntes).
Naquela época, o Brasil produzia apenas 17% de suas necessidades de petróleo e o efeito desse aumento na balança de pagamentos foi devastador. Houve ocasiões em que o País não tinha reservas para fechar o câmbio nem sequer para a compra do seu consumo do mês seguinte. Para mitigar os efeitos dessa crise, o CNP (Conselho Nacional de Petróleo) instituiu um sistema de racionamento.
Para simplificar a história, vou relatar apenas os fatos relativos ao consumo industrial:
Dessa forma, o governo conseguiu aliviar o seu problema de reservas cambiais criando, porém, um problema para o setor privado. Para facilitar a compreensão do contexto em que isso ocorreu, é conveniente lembrar que, tínhamos um governo militar e que medidas desse tipo poderiam ser tomadas mais facilmente do que atualmente. A compreensão pela sociedade de que o racionamento era uma solução melhor do que o caos contribuiu muito para a aceitação do racionamento. Outro fator importante para o sucesso do programa de racionamento foi o pragmatismo e a idoneidade que permeou todo esse processo.
Dentro desse contexto, a comunidade empresarial foi obrigada a elaborar planos e implementar medidas emergenciais. Usando os termos da programação linear, eu diria que o problema passou a ser minimizar o prejuízo das empresas decorrente do aumento da restrição imposta ao óleo combustível.
As soluções possíveis seriam:
A maioria das empresas adotou a política de combinar algumas dessas alternativas. Dessa forma, as soluções mais simples e mais imediatas foram adotadas num prazo mais curto e aquelas envolvendo maiores investimentos, novos equipamentos e instalações foram implantadas num prazo mais longo. É importante ressaltar que, mesmo soluções muito simples, como a redução da produção, não puderam ser adotadas sem algum planejamento. Em muitos casos, a solução de interromper a produção por uma semana a cada três semanas resultou mais eficiente do que o corte horizontal de 25%.
Essa história mostra como a comunidade empresarial se mobilizou para criar seus Sistemas de Gestão Energética e como esses sistemas ajudaram as empresas a superar os problemas. Nós, do Grupo de Energia e de Projetos Especiais da FDTE, nos orgulhamos muito de ter participado desse processo. Num pequeno exercício de futurologia num horizonte de cinco anos, talvez seja prematuro dizer que temos risco de crise, mas podemos vislumbrar, pelo menos, uma tendência de encarecimento significativo tanto da energia elétrica quanto do petróleo, o que significa que a utilidade de Sistemas de Gestão de Energia tenderá a aumentar.
Nesse contexto, as principais vantagens da Certificação de Sistemas de Gestão de Energia seriam:
Para que seja criado um Programa Nacional de Certificação para um Sistema de Gestão é necessária a existência de uma norma de referência para o objeto da certificação e de uma norma para a avaliação de conformidade. Com as normas ABNT NBR ISO 50001 e ABNT NBR ISO / IEC 17021, a base normativa para a criação de um programa nacional de certificação já existe. Falta apenas sensibilizar o INMETRO sobre o interesse desse programa para o País. Se pensarmos nos compromissos que o País precisa assumir para satisfazer a demanda interna de energia e na preservação do meio ambiente, creio até que seria justificável que essa certificação fosse compulsória para os grandes consumidores de energia.
* Publicado na Revista BANAS Qualidade Nº 230 de julho de 2011.
** O Engenheiro Luiz Eduardo Lima é Gerente de Consultoria e Treinamento da FDTE / Qualidade
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