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A aplicação do "foco no cliente" durante décadas levou as empresas a encontrar soluções para aqueles problemas de qualidade que são sentidos ou avaliados pelos clientes simplesmente usando os produtos adquiridos ou usufruindo os serviços prestados.
Notamos, por outro lado, que existem problemas de qualidade que não são sentidos e nem vistos pelos clientes. Esses problemas ficam escondidos à espera de uma oportunidade para se manifestar e, segundo as Leis de Parkinson, Murphy e similares, geralmente o fazem das formas mais impróprias.
Para facilitar o tratamento desses problemas, fizemos uma analogia com a termodinâmica e criamos os conceitos de Qualidade Sensível e de Qualidade Latente. Como normalmente vemos apenas a Qualidade Sensível, as manifestações da Qualidade Latente são consideradas acidentes envolvendo a não-qualidade, ou seja, as falhas dos produtos e serviços.
Um exemplo interessante seria o de empresas de transportes aéreos:
Este exemplo é interessante em virtude da carga dramática, da responsabilidade social e dos custos envolvendo a ocorrência de acidentes aéreos. De fato, os conceitos se aplicam a qualquer setor de atividades, mas este exemplo enfatiza muito o fato de que, de uma forma geral, problemas que podem ocorrer devido à falta de Qualidade Latente, embora menos freqüentes, têm de gravidade muito maior.
O controle da Qualidade Sensível deve levar as empresas a dedicar mais atenção aos chamados processos relacionados aos clientes. Geralmente isso envolve mais diretamente os processos de marketing, vendas, expedição, atendimento ao cliente e assistência técnica.
Podemos recomendar as seguintes medidas gerais para empresas que querem aprimorar a Qualidade Sensível de seus produtos:
Embora essas recomendações sejam poucas e pareçam simples, nem sempre a sua implementação é fácil.
Problemas relativos à Qualidade Latente de produtos ou serviços são mais difíceis de serem detectados e controlados por vários motivos. Como são problemas com menor visibilidade, muitas vezes não os conhecemos bem. Problemas dessa natureza geralmente estão ligados ao projeto e à realização dos produtos e serviços. Para controlar problemas dessa natureza, recomendamos o uso do modelo para a certificação de produtos como referência metodológica.
Quando há regulamentos estabelecidos para a certificação de produtos, ainda que voluntária, temos:
Nessas condições, as empresas podem controlar a Qualidade Latente de seus produtos de uma forma racional, segura e aceita consensualmente pela sociedade e pelas autoridades reguladoras. Quando não existe uma regulamentação oficial para a certificação, a empresa interessada pode criar regulamentação própria para esse fim.
Em princípio são possíveis as seguintes alternativas:
Nada impede que essas alternativas sejam implantadas como etapas de um processo evolutivo, partindo de uma situação mais simples para uma sistemática mais complexa, mais abrangente e de maior credibilidade.
Conclusões
Os conceitos de Qualidade Sensível e Qualidade Latente podem ser importantes para que as empresas melhorem sua posição num mercado competitivo. Normalmente, as empresas estão mais preparadas para resolver seus problemas de Qualidade Sensível do que os de Qualidade Latente. Estes, todavia, podem ter conseqüências mais perigosas para a vida das empresas. O uso do modelo estabelecido para a Certificação de Produtos é uma ferramenta importante para auxiliar a resolver problemas de Qualidade Latente.
Outubro / 2010
(*) Luiz Eduardo Lima é Engenheiro Eletricista pela Escola Politécnica da USP e Mestre em Engenharia de Produção pela mesma escola, Gerente de Certificação da FDTE / Qualidade e Consultor na área de Qualidade e Produtividade.
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